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Centro para a Valorização de Resíduos (CVR)

Da sustentabilidade à economia circular – o trabalho do Centro para a Valorização de Resíduos

A Fibrenamics e o Centro para a Valorização de Resíduos (CVR) oficializaram, no passado dia 6 de junho, aquando da apresentação da nova plataforma, uma parceria que já ligava as duas entidades há algum tempo. Nesta edição da newsletter, a propósito de valorização de resíduos, estivemos à conversa com a Professora Cândida Vilarinho – presidente do Conselho de Administração do CVR – e com o Engenheiro Jorge Araújo – director executivo – para conhecer melhor a única instituição nacional, pertencente ao Sistema Tecnológico Nacional que desenvolve a sua atividade neste domínio.

Preparados para qualquer desafio

Há 13 anos surgia, pela mão de quatro associados constituintes, o Centro para a Valorização de Resíduos. Situado em Guimarães, no campus de Azurém da Universidade do Minho (UM), “valorizamos o ambiente” foi o mote que deu origem à instituição que hoje é uma referência internacional. Universidade do Minho, Associação Portuguesa de Fundição, TecMinho e Associação Industrial do Minho foram as instituições que, em 2002, se uniram para criar uma resposta para um setor que, já naquela altura, assumia elevada importância. Atualmente o CVR conta já com 80 associados, onde se incluem empresas de diversos sectores de atividade industrial (fundições, indústria do papel, cerâmica, metalomecânica), empresas de gestão de resíduos, centros tecnológicos, entre outros. “Temos uma gama de associados muito alargada, que nos disponibiliza ou permite o acesso a resíduos de diferentes tipologias e nos desafia a encontrar soluções e alternativas para problemas reais e ajustados a diferentes cenários, potenciando que o CVR esteja na linha da frente das best pratices/expertise no domínio da valorização de resíduos”, explicou-nos Cândida Vilarinho, que, no entanto, sublinhou que o CVR, “apesar da proximidade com todos os seus associados, já há muito alargou os seus horizontes, fazendo com que o seu espectro de atuação e atividade não fique confinado apenas a eles”. “O CVR está ao dispor de qualquer empresa, entidade ou organização que pretenda solicitar um serviço, participar num projeto ou obter apoio técnico/consultoria, dento da gama de competências existentes no Centro”, clarificou a presidente do Conselho de Administração, e, inclusive, mostrou grande abertura para que qualquer entidade ou organização que se reveja no objeto da existência do CVR a juntar-se à lista de associados, através da aquisição de unidades de participação.

Independentemente do número de associados, a dirigente nota que há uma preocupação crescente do cumprimento das metas e de todas as imposições legais que existem em termos de ambiente, o que se tem traduzido num número crescente de contratação de serviços ao Centro, e que de algum modo tem vindo a determinar que o portfólio de serviços prestados seja cada mais alargado. Se numa fase inicial o CVR esteve mais ligado à engenharia mecânica (um dos departamento da UM que esteve na sua origem, a par do de engenharia biológica e engenharia civil), hoje já tem uma implementação nacional e até internacional, trabalhando sempre para dar respostas às necessidades que vão surgindo. “A larga experiência dos elementos da equipa, com particular destaque para a fase de diagnóstico de necessidades é o garante do sucesso dos projetos em que o CVR se envolve”, afirmou Jorge Araújo, acrescentando que o amplo conhecimento das oportunidades de financiamento e o seu aproveitamento tem permitido ao CVR dotar e reforçar as suas capacidades laboratoriais e de investigação, de forma a poderem “estar na vanguarda do conhecimento e dar resposta às solicitações”, colmatou a presidente do Conselho de Administração.

O CVR dispõe de quatro laboratórios e de um departamento de investigação e desenvolvimento tecnológico (IDT). O laboratório de caraterização de resíduos e o laboratório de emissões gasosas – ambos acreditados segundo o referencial normativo NP EN ISO 17025 pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) – e ainda o laboratório de avaliação de ruído e o de materiais e geotecnia.

“Sempre que possível validamos industrialmente os projetos”

A capacidade laboratorial do CVR é um trunfo, e é uma das razões pelas quais o Centro tem levado tantos projetos a bom porto. Desde que nasceu, o CVR já produziu mais de 7500 relatórios técnicos e pareceres, já realizou mais de duas dezenas de workshops, foi co-organizador de duas conferências internacionais e presidiu à comissão organizadora de outras três conferências internacionais [a Fibrenamics esteve presente na última WASTES, saiba mais aqui]. Este dinamismo, na convicção de Jorge Araújo, “é o reflexo do que é a necessidade, a vontade, e a oportunidade de valorizar os resíduos”. De facto, a ligação próxima com as empresas também se traduz em números: já foram mais de 60 os projetos aprovados e implementados, de tipologia QREN Vale Simplificado. Esta tipologia visa dar soluções concretas aplicáveis a problemas que são colocados por um setor de atividade, sendo que o CVR, dada a sua versatilidade e flexibilidade apresenta uma gama alargada de contributos nos mais diversos sectores, desde o calçado à eletrónica, passando pelo têxtil, construção civil,  agroalimentar, entre outros.

Admitindo que, há uma década atrás, não imaginaria estes números, Cândida Vilarinho atribui o crescimento do Centro ao facto de terem procurado oportunidades com base no know how dos seus colaboradores, bem como a uma aposta muito forte na internacionalização. “Não há dúvida que se tem aberto muitas portas e ampliado  horizontes, apesar do forte investimento que está associado a esse processo”, contou-nos, partilhando ainda que, do seu ponto de vista, o CVR destaca-se de outros centro de inovação tecnológica pois “sempre que possível validamos industrialmente os projetos”, além da validação laboratorial, do ponto de vista técnico e ambiental.

Parcerias são vetor estratégico

Como já anteriormente referido, a internacionalização é um dos vectores estratégicos do CVR. Além deste, o Centro quer continuar a apostar na formação, suportada nas valências do seu corpo técnico, e o estabelecimento de parcerias, especialmente com instituições de IDT nacionais e estrangeiras, como é o caso da Fibrenamics. “O protocolo com a Fibrenamics é de extrema importância”, afirmou a professora Cândida Vilarinho, explicando que não existe qualquer sobreposição de áreas, mas sim uma complementaridade, uma identificação de sinergias e um alargamento de áreas de atuação, “o facto de unirmos sinergias da plataforma e do centro permitirá que o nosso percurso possa ser mais profícuo e mais duradouro”. Jorge Araújo corrobora as palavras da presidente do conselho de administração: “esta troca, este espaço de diálogo, é complementar e potencia o alargamento das atividades de uma e outra instituição”.

As duas entidades já vêm trabalhando em conjunto, no âmbito da plataforma SWS (Shared Waste Solutions), co-promovida pela TecMinho, ITeCons e Universidade de Aveiro, na qual a Fibrenamics, através da sua ligação com a TecMInho, tem colaborado na promoção do projeto, tendo o workshop “Do Resíduo ao Mercado” decorrido nas instalações do Centro. Nessa altura – a 27 de maio do ano corrente – os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o Laboratório de Compósitos da Fibrenamics, localizado no CVR, onde foram feitas algumas demonstrações do trabalho desenvolvido com resíduos de fibras.

Os resíduos são recursos que importa aproveitar, diz o CVR e a UE

Apesar do setor dos resíduos ser um setor que constituirá uma alavanca para a competitividade das nossas empresas num futuro próximo, os dois responsáveis do Centro para a Valorização de Resíduos reconhecem que há alguns entraves a uma maior valorização dos resíduos, nomeadamente no quadro legal. No entanto, acreditam que este é um setor promissor, que deve ser encarado como uma oportunidade e não como um obstáculo, até porque, lembram, a própria União Europeia tem trabalhado nesse sentido. Enquanto inicialmente se falava na valorização ao invés da eliminação, da hierarquia da gestão de resíduos, etc., atualmente a preocupação assenta na escassez de dos recursos naturais, em que os resíduos são considerados recursos que importa valorizar. Aliás, este é precisamente o lema do CVR, desde as comemorações do seu 10º aniversário: ‘os resíduos são recursos que importa aproveitar’. O documento sobre matérias-primas críticas para a União Europeia, que data de 2010, vem dar razão a esta estratégia, visto que condena a estratégia de extrair-transformar-vender-descartar (economia linear) e dá ênfase ao conceito de economia circular com o qual o CVR está alinhado. Tanto que assim é que o Horizonte 2020 tem um tópico inteiro dedicado à temática “WASTES”, algo que é aplaudido por Cândida Vilarinho: “finalmente está a ser dado valor aos resíduos!”.

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