Projetos com fibra

Eco-ERT: Revestimentos multicamadas interactivos

A inovação uniu-se à sustentabilidade na reabilitação urbana

A ERT Têxtil Portugal, S.A., empresa de têxteis técnicos para aplicação em mercados competitivos, e a plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho juntaram esforços e criaram um projeto inovador: o Eco-ERT. Este projeto consiste no aproveitamento de resíduos para o desenvolvimento de estruturas multicamada que, posteriormente, são utilizadas como revestimentos na reabilitação urbana de edifícios.

A ameaça virou oportunidade

O setor da construção está estagnado. A crise teve um impacto especialmente grande nesta área e, desde então, o número de construções realizadas reduziu drasticamente. Em 2012, o volume de negócios do setor caiu 26%, depois de ter reduzido 17% em 2011, sendo que a maior quebra no volume de negócios de 2012 se registou na construção de novos edifícios. A ERT e a Fibrenamics viram nesta ameaça uma oportunidade e decidiram apostar num projeto que revitalizasse a indústria da construção. Segundo Fernando Merino, Diretor de Inovação da ERT, era intenção da empresa “estudar desenvolvimentos que pudessem entrar não só no setor automóvel como noutros setores”. A ideia de criar uma estrutura multicamada que permitisse dotar alguns edifícios de novas capacidades no que respeita ao isolamento térmico e acústico surgiu porque “a nossa intenção também era desenvolver um produto que fosse fácil de aplicar, ou que um utilizador normal conseguisse aplicar muito facilmente no seu dia-a-dia”, afirmou Fernando Cunha, investigador da Fibrenamics responsável pelo projeto.

Em termos práticos, é propósito do Eco-ERT criar duas gamas de produtos, uma standard e uma premium. A standard será vendida ao metro, e poderá ser personalizada com padrões variados. Por outro lado, a premium terá uma vertente mais high tech, que consistirá na introdução de sensores touch nas estruturas multicamada.

Dos resíduos ao conhecimento

Os resíduos têxteis são dos resíduos menos contaminados – estão prontos a ser processados – e dos mais disponíveis no mercado. Como o objetivo primordial do Eco-ERT é a promoção da sustentabilidade, foram precisamente estes resíduos os eleitos para a realização deste projeto. Fernando Merino apontou que “é preciso olhar para [este processo] de um ponto de vista mais a 360 graus, isto é, na sua plenitude. Quando nós estamos a aproveitar resíduos que depois vão ser incorporados em produtos, nós estamos a recuperar desperdícios e a valorizá-los e do ponto de vista sustentável é bom.”

O processo de integração de tais resíduos no produto final passa, numa primeira fase, pela recolha nas indústrias têxteis para, posteriormente, serem processados por empresas a jusante da cadeia de valor e, por fim, trabalhados pela ERT em diferentes espessuras e densidades. Todo este processo influencia o cálculo do isolamento térmico e acústico. “Estamos a trabalhar materiais sustentáveis e, realmente, comparamos com soluções que são usadas e soluções ditas tradicionais, seja através de gesso cartonado, seja através de alvenarias, e a nossa solução é muito melhor em termos de sustentabilidade. Tem uma nota sustentável muito superior a todas as outras que existem no mercado”, afirmou Fernando Cunha.

A aplicação destas estruturas trará, efetivamente, bastantes vantagens, não só em termos de isolamento térmico e acústico, mas também em termos de poupança de energia, daí a utilização do conceito “eco” no naming do produto. A energia gerada dentro dos edifícios é não poluente para a atmosfera e, por essa razão, é necessário evitar que ela se dissipe. O Eco-ERT tem em consideração este facto e os seus resultados comprovam que é possível, através da aplicação da estrutura multicamada, economizar a dissipação dessa energia, garantindo um excelente resultado no que ao isolamento térmico concerne.

A metodologia adotada é a de desenvolvimento do produto, tal como Fernando Cunha explicou: “trazemos [Fibrenamics] o conhecimento que procuramos no mercado, em termos de concorrência e dos produtos que existem, dos recursos que necessitamos, vimos para a universidade, desenvolvemos a tecnologia, transformamos essa tecnologia em protótipos, em produtos já dentro da empresa, e depois ajudamos a empresa a colocar o produto no mercado.” Neste âmbito, Fernando Merino acrescentou que se trata de um processo “baseado na partilha de conhecimento tecnológico”.

Um novo revestimento para o mercado

O Eco-ERT “é um projeto pioneiro numa área específica que é a dos revestimentos, isolamento térmico e acústico”, assegurou Fernando Merino. Como tal, estão pensados dois modelos de negócio para o produto final: um que passa pela sua comercialização em massa e outro, no qual a ERT está especialmente interessada, que reside na personalização, uma vez que, tal como afirmou o investigador da Fibrenamics, “temos [o projeto] um valor acrescentado muito elevado”. Como próximo passo, no que respeita à personalização do produto, terão de ser estabelecidas parcerias com gabinetes de arquitetura e design, de modo a serem desenvolvidas soluções mais interessantes na ótica do utilizador.

Para Fernando Merino, o grande objetivo consiste em que, a longo prazo, “este seja o primeiro de vários projetos que nos permitam criar ou consolidar capacidade de desenvolvimento nesses mercados, queremos é que as portas se abram”. Além do mais, é ainda interesse da ERT “criar uma linha de produtos e que isto ajude a criar consistência numa linha de comunicação sobre uma área de inovação”, contou-nos Fernando Merino.

Uma aliança sustentável em prol da inovação

A parceria entre a ERT e a Fibrenamics é uma aliança que tem trazido proveitos para ambas as partes. Além deste projeto, as duas entidades tem outros dois – um finalizado e outro em desenvolvimento – realizados em conjunto. “É estratégico o relacionamento que temos com os centros de investigação e com os nossos parceiros e clientes estratégicos, os centros de investigação são estratégicos para nós”, afirmou Fernando Merino. Já para a Fibrenamics, nas palavras de Fernando Cunha, a atual parceria é muito importante e “surge num âmbito estratégico de I&D da própria ERT em querer também desenvolver novos ramos de negócio dentro da empresa, nomeadamente atacar este mercado da construção”, além de que – acrescentou – “a ERT lança sempre novos desafios e nós estamos cá para responder e tentar ajudar a criar produtos inovadores com base nas fibras e sempre ao encontro dos requisitos do mercado. É uma das grandes mais-valias que nós temos.”

O projeto Eco-ERT (Projeto QREN nº 2012/24801), promovido pela ERT Têxtil Portugal S.A., é co-financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN).

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