Mensagem Editorial

Raul Fangueiro, Coordenador da Fibrenamics

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A manufatura aditiva promete ser um dos fatores tecnológicos mais relevantes que influenciará o desenvolvimento de produtos inovadores no futuro próximo. Efetivamente, a possibilidade de se construir um produto camada a camada a partir de uma representação virtual do mesmo, abre possibilidades inesgotáveis que apenas a criatividade humana poderá limitar. Diversos setores industriais estão já a beneficiar da possibilidade de construírem protótipos a partir de tecnologias aditivas capazes de responder aos anseios mais específicos de clientes cada vez mais exigentes. Na indústria automóvel, muitos dos componentes poliméricos desenvolvidos são já produzidos utilizando técnicas de impressão 3D, com níveis de qualidade e de flexibilidade extremamente elevados. Na área da saúde, um largo número de dispositivos médicos é produzido recorrendo a técnicas de manufatura aditiva, com base em materiais poliméricos, cerâmicos ou metálicos. Da mesma forma, na indústria aeroespacial, muitos dos componentes desenvolvidos para incorporação em satélites ou veículos recorrem igualmente a estas técnicas como forma de garantirem uma validação cuidada de todas as suas características antes da sua produção em larga escala.

Segundo a Frost & Sullivan espera-se que o mercado associado à manufatura aditiva cresça anualmente cerca de 15% no período 2015-2025, prevendo-se um crescimento ainda maior no setor automóvel, com cerca de 34%. De entre os setores industriais com maior influência para o crescimento da manufatura aditiva, espera-se que as áreas médica, automóvel e aeroespacial contribuam com mais de 51% para o crescimento deste mercado. Sob o ponto de vista de inovação, existem oportunidades consideráveis na produção de componentes a partir de filamentos poliméricos aditivados com grafeno, utilizando técnicas de fabricação por filamento em fusão (FFF). Neste caso, funcionalidades como condutividade elétrica, proteção eletromagnética, aumento considerável de desempenho mecânico, entre outras, poderá ser utilizada com sucesso recorrendo a filamentos poliméricos reforçados com grafeno e com outras estruturas baseadas em carbono.

a possibilidade de se construir um produto camada a camada a partir de uma representação virtual do mesmo, abre possibilidades inesgotáveis

A utilização de manufatura aditiva contribuirá igualmente para a alteração das cadeias de fornecimento em diversos setores, sendo que os componentes físicos poderão ser produzidos em qualquer parte do mundo a partir dos ficheiros digitais desenvolvidos para cada um dos produtos específicos. Neste caso, as possibilidades de customização de produtos são intermináveis, sendo que estes poderão ser produzidos localmente com necessidades reduzidas de componentes acabados. Desta forma, a customização e as alterações nas cadeias de fornecimento moldarão brevemente os modelos de negócio em diversos setores.

Nesta Newsleter Fibrenamics, temos a honra de contar com a visão do Prof. Martinho Oliveira, um dos maiores especialistas em manufatura aditiva, com experiência em diversos projetos envolvendo esta tecnologia. Por outro lado, também o nosso parceiro D2 Technology nos dá a conhecer a sua visão sobre a incorporação de tecnologia aditiva no seu processo produtivo, sendo que partilhamos igualmente as ideias mais importantes que recolhemos na nossa participação na Additive International, em Nottingham. O projeto SenseBED, está igualmente em destaque nesta edição, mostrando-se os resultados obtidos na parceria Fibrenamics e Vital Tecidos. Por fim, é com enorme orgulho que mostramos novidades da utilização dos equipamentos de proteção individual desenvolvidos no projeto AUXDEFENSE, por parte dos soldados portugueses, no Iraque.

Fibre the Future!
Raul Fangueiro