Projetos com Fibra

AuxDefense – Desenvolvimento de materiais auxéticos para o setor da defesa

Inovação: um vetor estratégico imprescindível 

A inovação é um vetor obrigatório na estratégia de Defesa de qualquer soberania, e, claro está, a de Portugal não é exceção. A busca incessante de melhorias no setor da defesa já deu ao mundo algumas grandes invenções, com particular destaque para aquela que está a utilizar neste preciso momento: a internet. Mas nem só de telecomunicações vive o setor da Defesa, e há outras áreas que assumem igual relevância, como a dos materiais de proteção, por exemplo. É precisamente esta área um dos grandes enfoques deste projeto, que conta com entidades nacionais e internacionais, e que visa desenvolver equipamentos de proteção individual, componentes de equipamentos militares e uma plataforma internacional de materiais avançados para a Defesa.

Um consórcio alargado e com provas dadas

O proponente do projeto é a TecMinho – Interface da Universidade do Minho (UMinho), através da plataforma internacional Fibrenamics. A esta entidade do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) uniram-se duas entidades militares – o Exército Português e a Força Aérea Portuguesa – e várias entidades empresariais, a saber: LMA, Latino Group, Fibrauto, Sciencentris e IDT Consulting. O consórcio fica completo com duas instituições de ensino e investigação internacionais, nomeadamente a Hong Kong Polytechnic University e a britânica Plymouth University. O protocolo que oficializa a relação entre estas entidades em prol deste projeto foi assinado a 12 de outubro do ano corrente, numa cerimónia que decorreu no Forte de S. Julião da Barra.

Este momento marcou o início oficial do projeto e Norberto Almeida, da Fibrauto, sumariza o sentimento transversal a todas as entidades ao afirmar que as expectativas são as de “que se consigam atingir os objetivos do projeto”. O representante da empresa de fabrico de produtos poliméricos e compósitos reforçados com fibras afirmou ainda que “será vantajoso aproveitar a posteriori” o conhecimento gerado. Aliás, esse é, fundamentalmente, o objetivo que une todos estes parceiros “gerar conhecimento e produtos inovadores para a área da defesa”, como nos diz Filipe Soutinho, da IDT Consulting, acrescentando que também será importante “destacar o desenvolvimento de produtos técnicos portugueses no mercado mundial”. Há empresas portuguesas, como a LMA, que já opera no mercado internacional e vai trazer essa experiência para o projeto, ao mesmo tempo que promove os seus produtos e contribui para “inovar no sentido de dar resposta a outras necessidades”, tal como afirmou Manuel Barros. Esta visão é partilhada pelo Grupo Latino, que já está neste segmento de mercado há quase 30 anos, e se junta ao AuxDefense para “contribuir para uma maior proteção do combatente/operacional, com produtos mais leves e mais eficazes”. Esta maior eficácia é vista como prioritária por parte das entidades militares do consórcio. O Coronel Armando Barros da Força Aérea espera “contribuir para o conhecimento ao nível da defesa”, conhecimento esse que posteriormente até poderá ser objeto de estudo “em dissertações de mestrado e doutoramento no âmbito da academia da Força Aérea”. Por parte do Exército Português o Tenente-Coronel de Infantaria, Jorge Ribeiro, atesta a importância e pertinência deste projeto pois “tudo aquilo que possa contribuir para aumentar o desempenho dos militares no teatro de operações é bem-vindo”, e, claro está, é igualmente importante “melhorar o material que [o exército] dispõe”. A par disto, a Sciencentris vai encarregar-se de “valorizar os resultados obtidos ao longo do projeto junto de potenciais clientes, nomeadamente junto dos ministérios da defesa de outros países, comunidade científica e setor privado”, missão que Fernando Cunha, CEO da empresa, reconhece que acarreta “expectativas elevadas”.

Contagem decrescente: 36 meses para levar o projeto a bom porto

Um dos objetivos deste projeto é o de atingir – pelo menos – o nível 7 de TRL (Technology Readiness Level). De acordo com a Comissão Europeia, isso significa que até ao final do projeto deverá haver uma demonstração do funcionamento dos protótipos em ambiente operacional. Para aí chegar, a metodologia é fácil de descrever: primeiramente, as entidades militares identificarão os requisitos técnicos (ao nível de conforto e performance, por exemplo), dos produtos a desenvolver. Segue-se a fase de estudo e análise das estruturas fibrosas e compósitas com comportamento auxético, que levarão à seleção de materiais e tecnologias de produção dos protótipos. Uma vez prontos, os primeiros protótipos serão testados pelos militares, em ambiente real e simulado, que fornecerão inputs imprescindíveis à otimização dos mesmos. Depois de realizadas as devidas alterações aos protótipos, e do aval final dos utilizadores que representam o target, os produtos resultantes poderão ser industrializados e comercializados pelas empresas que integram o AuxDefense.

Além da produção dos protótipos, este projeto não descura a vertente do mercado, e por essa razão também prevê a criação de uma Plataforma Internacional de Materiais Avançados para a Defesa. Esta visa os seguintes objetivos: divulgação e valorização de resultados; atrair mais empresas, indústrias e centros de investigação para a defesa; juntar e promover sinergias entre investigadores, produtores e utilizadores; valorização dos materiais avançados da Defesa; colocação no mercado de produtos avançados para a Defesa; e potenciar a actuação portuguesa no novo quadro de financiamento europeu (H2020)

Traduzindo em resultados, do AuxDefense espera-se a produção de produtos inovadores, incluindo coletes e capacetes balísticos e fardamento de combate, incluindo joelheiras e cotoveleiras, recorrendo a estruturas com comportamento auxético. O conhecimento gerado no âmbito da investigação inerente ao desenvolvimento destes produtos poderá ser utilizado pelas entidades do consórcio, pós-projeto, em setores distintos onde as necessidades de absorção de energia e resistência ao impacto, corte e perfuração, assumem um papel preponderante, trazendo uma valorização económica do financiamento atribuído ao projeto.

Ao nível do impacto no SCTN, além do reforço da cooperação com entidades militares e com o tecido empresarial, a produção de conhecimento abre portas a outros projetos de I&DT, projetos de investigação fundamental e potencia a valorização do conhecimento produzido em Portugal através de publicações em jornais e revistas científicas de referência, até porque esta é uma área relativamente nova, e, até à data, apenas foi reportada na literatura uma única tentativa de fabricar materiais compósitos recorrendo a estruturas auxéticas especiais, e não foram encontradas tentativas de produção e utilização de estruturas fibrosas auxéticas para reforçar matrizes poliméricas ou de qualquer outro género.

Competências multidisciplinares dão garantias de um “trabalho de alta qualidade”

Sendo o proponente deste projeto (através da TecMinho), as expectativas da Fibrenamics para este projeto “são extremamente elevadas”. O coordenador da plataforma internacional da Universidade do Minho (UMinho) para o desenvolvimento de produtos e materiais inovadores com base em fibra assume que se trata “de um projeto extremamente ambicioso com enfoque no desenvolvimento de materiais de proteção avançada”, mas está confiante no sucesso do AuxDefense até porque, lembra, “o grupo de investigação da UMinho é líder a nível mundial”. Raul Fangueiro está convicto de que “estão reunidas as competências multidisciplinares necessárias à realização de um trabalho de alta qualidade”, bem como no potencial do projeto para promover “relações de cumplicidade que certamente serão aplicadas com sucesso em posteriores projetos”.

O setor da Defesa já tem vindo a ser objeto de investigação no seio da Plataforma Fibrenamics que, com este projeto, ganha ainda mais dimensão, e, tal como noutros projetos, também no AuxDefense a dinâmica de trabalho em rede e de transferência de conhecimento, que são apanágio da Fibrenamics, farão certamente a diferença pela positiva no sucesso do projeto que agora começa.

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