Artigo de opinião

Aline Guerreiro Delgado – Portal da Construção Sustentável

A construção sustentável é possível?

Acreditamos que sim. No entanto há ainda muitos desafios por superar. Um deles passa por pensar na integração de RCDs (Resíduos de Construção e Demolição) em novos materiais para a construção, combinando vários materiais de diferentes propriedades. A estes materiais que incorporam a combinação de vários materiais chamam-se materiais compósitos.

O setor da construção é o maior produtor de RCDs, gerando um volume quase duas vezes maior que o volume de resíduos sólidos urbanos, muitas vezes alimentados por obras não fiscalizadas corretamente. Sabendo que, nos nossos dias, apenas cerca de 10 % (em massa) de tudo o que é extraído do planeta pela indústria é que se torna num produto útil e o restante pode ser considerado resíduo, torna-se urgente uma gestão sustentável dos recursos naturais existentes que nos leve a um consumo também ele sustentável. Assim, a necessidade mundial de sustentabilidade exige que, cada vez mais, se recorra ao uso de produtos alternativos na construção, tal como os que incorporam na sua constituição resíduos industriais. Estes são convencionalmente referidos como “materiais verdes”.

Vários são os subprodutos gerados na indústria que podem ser recuperados ou valorizados para a geração de novos produtos, podendo, desta forma, minimizar os prejuízos ambientais consequentes da sua deposição em aterro. Com o aumento das tecnologias, esta necessidade da combinação de propriedades de variados materiais, como a resistência mecânica e tenacidade, produzindo-se novos materiais é já uma possibilidade e tem-se tornado real. Os compósitos são uma classe destes materiais que possuem diversas aplicações na indústria e são utilizados para melhorar a produtividade, baixar custos e oferecer diferentes propriedades aos materiais.

A utilização destes materiais como substitutos dos materiais convencionais está a aumentar, até porque podem apresentar vantagens consideráveis. Dependendo da combinação, podem obter elevada rigidez, elevada resistência à corrosão e condutividade térmica, boa fluidez, estabilidade estrutural e fácil moldagem. Os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados pela sua flexibilidade, e um dos exemplos mais conhecidos é a reciclagem das garrafas PET. Os compósitos, por outro lado, são feitos com resina e fibras de reforço, como por exemplo a fibra de vidro. Por outro lado a incorporação de fibras vegetais nos materiais de construção é uma prática antiga. Como o barro, que é natural, foi e continua a ser usado em grandes e importantes civilizações. Trata-se do Adobe, que emprega apenas barro, palha e água para sua fabricação. Os resíduos são misturados e pisoteados até formarem uma massa homogênea, que quando está pronta é moldada em forma de blocos. Basicamente, um material compósito resulta da ligação íntima de pelo menos dois materiais distintos, dando origem a um material heterogéneo e multifásico, mas de propriedades melhoradas relativamente a cada um individualmente.

A valorização do conhecimento empírico, atualizado por pesquisas, é sempre uma fonte de inspiração. E é possível aproveitar essa riqueza cultural com o correto incentivo à pesquisa dentro das universidades. O que pode viabilizar uma solução rápida para o reaproveitamento dos materiais, valorizando o desperdícios e contribuindo para o desenvolvimento mais sustentável do setor da construção.

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